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Igrejas e Museu
de São Francisco do Porto

Igreja do Convento de São Francisco

A Igreja do Convento de São Francisco, classificada como Monumento Nacional desde 1910, situa-se no coração da zona histórica da cidade do Porto, património mundial pela UNESCO desde 1996.

Igreja dos Terceiros de S. Francisco

A atual Igreja, herdeira de dois espaços sacros anteriores, começou a ser construída no final do Século XVIII e representa o início de uma nova arquitetura classicista religiosa no Porto.

Museu

O percurso museológico continua na Casa do Despacho, da autoria do arquiteto Nicolau Nasoni, onde se inclui a Sala do Tesouro, a Sala das Sessões e o respetivo Cemitério Catacumbal.

Igreja do Convento de São Francisco

A Igreja do Convento de São Francisco, classificada como Monumento Nacional desde 1910, situa-se no coração da zona histórica da cidade do Porto, património mundial pela UNESCO desde 1996.

A Igreja foi sendo sucessivamente enriquecida, a ponto de ser hoje considerada um dos mais ricos e belos repositórios de talha dourada de Portugal. O que mais surpreende é a riqueza barroca dos revestimentos a talha, trabalhados desde o século XVII a meados do século XVIII, a demonstrar o trabalho excecional dos entalhadores portuenses.

Uma das particularidades da Igreja relaciona-se com o contraste singular da profusa ornamentação da talha dourada com a sobriedade da arquitetura gótica.

Na Igreja, constituída por três naves e cinco tramos, vários retábulos representam o trabalho de diferentes mestres entalhadores de diferentes épocas.

À esquerda do pórtico de entrada, encontra-se a capela sepulcral de Luís Álvares de Sousa e uma das mais antigas pinturas murais conservadas do país, representando a Senhora da Rosa, atribuída a António de Florentim.

À direita do pórtico de entrada pode ver-se um nicho com a escultura de São Francisco, em granito policromo, do século XIII, cujo nicho ostenta as armas franciscanas. Desde aqui se pode constatar a diversidade das obras que podem ser observadas na Igreja.

O retábulo da Árvore de Jessé é um dos mais exuberantes exemplos da temática no país.

A obra, adaptada de um trabalho já existente, foi realizada por Filipe da Silva e António Gomes no século XVIII e apresenta doze imagens dos reis de Judá, numa árvore que cresce a partir do corpo deitado de Jessé e culmina na Virgem e o Menino, precedida por S. José.

Em nichos de ambos os lados da Árvore, encontram-se as figuras de Santa Ana e São Joaquim, assim como de quatro doutores franciscanos que escreveram sobre a Imaculada.

No transepto, para além do Retábulo da capela-mor, podem ser vistos os Retábulos de S. Benedito, Santo António e São Francisco, do lado esquerdo, e os Retábulos de S. Boaventura, de Nossa Senhora das Candeias e a Capela dos Reis Magos, do lado direito.

Na Igreja pode também ver-se o Retábulo da Nossa Senhora do Socorro, de 1740, desenhado pelo arquiteto Francisco do Couto e Azevedo e executado por Manuel da Costa e Andrade, artistas responsáveis também pelo Retábulo de Nossa Senhora da Rosa.

Os retábulos dos Santos Mártires de Marrocos e da Anunciação de Nossa Senhora, executados por Manuel Pereira da Costa Noronha em 1750, e a Capela da Nossa Senhora da Soledade, obra de Francisco Pereira Campanhã executada em 1765, comprovam a mestria dos entalhadores portuenses do século XVIII.

Igreja dos Terceiros de S. Francisco

A atual Igreja, herdeira de dois espaços sacros anteriores (a Capela de Santa Isabel, cuja pertença à VOTSF do Porto datará de 25 de novembro de 1638, e a primeira Igreja da Rainha Santa Isabel, cuja construção decorreu entre 1677 e 1690), começou a ser construída no final do Século XVIII e representa o início de uma nova arquitetura classicista religiosa no Porto.

A imposição do classicismo deriva da tendência europeia à época, da atividade arquitetónica promovida pela Junta de Obras Públicas na cidade do Porto, e pela arquitetura neopalladiana que o Porto vê introduzir-se em algumas das suas mais emblemáticas obras, como seja o Hospital de Santo António, a já desaparecida Capela de Nossa Senhora do Ó e a Casa da Feitoria.

A sua fachada é constituída por dois andares, o segundo dos quais rematado por um frontão.

A construção da Igreja da VOTSF do Porto iniciou-se em 1792, a partir da reconstrução da capela-mor da primeira Igreja da Rainha de Santa Isabel, e continuou, a partir de 1795, com a construção de um novo corpo, uma nova sacristia e uma nova capela de Santo António.

O primeiro é constituído por dois grandes pedestais onde assentam duplas colunas dóricas romanas, entre as quais foram colocadas duas estátuas, representando a Humildade e a Penitência. O segundo andar do frontispício é formado por colunas jónicas, entre as quais se abrem três amplas janelas, sendo a central de maior vão. Na parte central veem-se as armas da Ordem encimadas pela coroa real. Um parapeito sustenta lateralmente as estátuas da Esperança e da Caridade. No centro está a estátua da Fé, assente num acrotério.

No interior, destaca-se o elevado arco triunfal, cujo remate ostenta uma importante composição armorizada; o coro e o órgão ali colocado; e a primorosa decoração de todo o interior da Igreja.

Percurso Museológico

O percurso museológico continua na Casa do Despacho, da autoria do arquiteto Nicolau Nasoni, onde se inclui a Sala do Tesouro, a Sala das Sessões e o respetivo Cemitério Catacumbal.

A Casa do Despacho, concluída em 1749, é pela qualidade da sua fachada e do seu interior um exemplar a realçar da arquitetura do Porto do século XVIII. Representa uma sensibilidade barroca, cuja origem se encontra nas obras de renovação da catedral a partir de 1717 e que ficou associada à cidade e ao Norte de Portugal.

Após um incêndio ter destruído o albergue para Irmãos pobres e assistência de mulheres que se situava no local, a Mesa da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto decidiu iniciar a construção de uma Casa do Despacho. O edifício começou a ser reconstruído em 1747, tendo a nova planta sido desenhada por Nicolau Nasoni, arquiteto italiano responsável por grandes monumentos da cidade do Porto como a Torre dos Clérigos ou o Palácio do Freixo.

A Casa do Despacho tem planta retangular em dois pisos, e constitui hoje em dia um dos elementos mais destacados do Museu de São Francisco.

No primeiro piso encontra-se a Sala do Tesouro, que ostenta uma exposição permanente de obras relacionadas com a história da Venerável Ordem Terceira de São Francisco e com a própria história da cidade do Porto.

No segundo piso, pode visitar-se a Sala de Sessões, com um teto de planta octagonal composto por caixotões, pintado a branco e com incrustações de talha dourada. As paredes são decoradas por quadros de benfeitores da Instituição, um quadro representativo da morte de Santa Margarida de Cartona e um quadro da Virgem com o Menino.

Um dos elementos mais chamativos da Sala de Sessões é o retábulo de Cristo na Cruz, em talha dourada, atribuído a José Teixeira Guimarães.

Ainda no segundo piso, a Sala do Despacho revela um teto com dois óleos de brasões bipartidos, com as armas da Ordem e de D. José e D. Maria Ana Vitória, da autoria de José Martins Tinoco.

Inserido no conjunto da igreja, casa do despacho e pátio de acesso, situa-se o cemitério catacumbal, de arquitetura singular, e que representa a fase final de todo um processo de criação de espaço de sepultura dos Irmãos. Entre 1749 e 1866, todos os benfeitores da Ordem foram sepultados neste espaço.

A parte mais antiga do cemitério catacumbal possui um altar barroco e ornamentação em talha dourada, sendo o restante espaço marcado pelos jazigos laterais e pelo contraste entre o branco das paredes e o negro dos jazigos. Nas catacumbas pode também ser visto o ossário, onde estão expostos milhares de ossos de Irmãos e benfeitores outrora sepultados nos jazigos.